Estamos na época da multitarefa. Fazer muita coisa ao mesmo tempo e quanto mais melhor.
As donas de casa há muito que o fazem, pois, com um filho ao colo e a ralhar com outro, vão mexendo o tacho do almoço e calculando mentalmente o que é preciso comprar. A moda pegou, e muitos a praticam.
São as empregadas domésticas a limparem o pó com uma mão, enquanto a outra leva o telemóvel ao ouvido. São as intelectuais com o computador, a televisão, o MP3 e o telemóvel, tentando que não fique espaço livre para nenhum devaneio. São as crianças a pularem de brinquedo em brinquedo, não vá um só aborrecê-las. São os adolescentes com o iPad, os sms e a PlayStation enquanto estudam qualquer coisa para o teste de amanhã. São os que, acreditando nos benefícios da actividade física, andam quilómetros na passadeira ou na elíptica, enquanto vêem TV, falam ao telemóvel, lêem relatórios ou estudam matérias. São os executivos com vários telemóveis, o da empresa, o de casa, o dos clientes especiais, mais o iPad e as notas dadas aos soluços para a secretária. São os políticos com vários telemóveis, o computadores e vários assessores a fazerem perguntas de estratégia, dando notícias de minudências urgentes ou propondo planos para reuniões de amanhã. São os jornalistas, os vendedores, os empresários, os médicos, os advogados, os veterinários, os farmacêuticos, os polícias… são muitos
Andam muitos por aí nesta cacofonia de tarefas, correndo como cavalos cansados, sem saber ou questionar qual o sentido da corrida.
Costumo dizer que estas sistemáticas oscilações entre tarefas são como andar numa linha em zig-zag, com re-focagens sucessivas para uma das tarefas e consequente aumento do esforço e inevitável cansaço. O zig-zag é mais longo do que a linha recta! Mas ainda pior, não se pensa bem ou ponderadamente nenhum dos assuntos.
Quais as criações de Da Vinci ou de Einstein se estivessem sempre agarrados ao telemóvel?
As técnicas de meditação, hoje tão em voga, têm como objectivo o sossego da mente ou a focagem do pensamento, ou seja, defendem uma perspectiva exactamente oposta. O problema é que, depois de um bombardeio sistemático do cérebro e dos sentidos, querem dormir bem porque estão cansados.
Desiludam-se, o cérebro é como os músculos: quando o cansaço é grande demais não consegue descansar, e… adeus sono.
O sono vem na tranquilidade, no silêncio, no conforto…
Prof. Teresa Paiva
Lisboa, 22 de Março de 2013